Por que o diabetes tipo 2 exige atenção?
O diabetes tipo 2 é uma doença progressiva que, quando não controlada adequadamente, pode provocar alterações em diferentes órgãos e sistemas do organismo.
Entre as possíveis complicações estão problemas nos olhos, como a retinopatia diabética; alterações nos rins, conhecidas como nefropatia diabética; doenças cardiovasculares; alterações de sensibilidade, como dormências e formigamentos; além de dificuldades de cicatrização, que em casos mais graves podem contribuir para o surgimento de feridas e até amputações.
Por isso, em pacientes com obesidade e diabetes tipo 2, o tratamento da obesidade também pode fazer parte da estratégia para melhorar o controle metabólico.
Cirurgia metabólica: uma abordagem além da perda de peso
Em pacientes selecionados, a cirurgia bariátrica e metabólica pode contribuir não apenas para a redução do peso, mas também para o controle do diabetes tipo 2.
No caso realizado pela equipe do ICCAD, foi utilizada uma técnica laparoscópica denominada bipartição intestinal. O procedimento combina uma alteração na anatomia do estômago com uma modificação no trânsito intestinal, buscando atuar também nos mecanismos hormonais relacionados ao metabolismo.
Uma das respostas envolvidas está relacionada ao GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino que participa da regulação da glicose, da saciedade e da resposta à alimentação. Medicamentos atualmente utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes também atuam sobre essa via.
Na cirurgia metabólica, a alteração do trânsito gastrointestinal pode estimular mecanismos hormonais e metabólicos que contribuem para a melhora do controle glicêmico.
O diabetes pode melhorar após a cirurgia?
Uma das características importantes da cirurgia metabólica é que as mudanças metabólicas podem começar a ser observadas precocemente, muitas vezes antes mesmo de ocorrer uma grande perda de peso.
Em alguns pacientes, pode haver redução da necessidade de medicamentos para o diabetes já no período inicial após a cirurgia. A evolução, entretanto, varia de acordo com fatores como tempo de doença, função do pâncreas, grau de obesidade, uso de medicamentos e características individuais de cada paciente.
Por esse motivo, o objetivo não deve ser simplesmente prometer uma “cura” do diabetes, mas avaliar individualmente a possibilidade de remissão ou melhora significativa da doença e reduzir o risco de suas complicações.
Obesidade e diabetes: tratamento que considera o paciente como um todo
Quando obesidade e diabetes tipo 2 estão presentes simultaneamente, o tratamento precisa ser individualizado. Mudanças no estilo de vida, acompanhamento médico, medicamentos e, quando indicados, procedimentos cirúrgicos podem fazer parte dessa estratégia.
A cirurgia metabólica é uma ferramenta que pode oferecer benefícios importantes para pacientes adequadamente selecionados, especialmente quando o controle do diabetes permanece inadequado apesar do tratamento clínico.
O caso realizado pelo Dr. Bruno Ricciardi e pelo Dr. Nicholas Kruel reforça a importância de avaliar a obesidade não apenas como uma questão relacionada ao peso, mas como uma condição que pode estar diretamente associada a doenças metabólicas importantes.
Para pessoas com obesidade e diabetes tipo 2, a avaliação individualizada com uma equipe especializada é fundamental para entender quais opções de tratamento podem ser adequadas para cada caso.